23/11/2017

Governança e Porte de uma Empresa

Por André Passos – Diretor Corporativo do Grupo LM

Conceituada como o conjunto de elementos que regulam a forma como uma Empresa é dirigida ou controlada, a governança corporativa é um termo que usualmente é associado a empresas de grande porte, sociedades anônimas de capital aberto. Entretanto, sua aplicação é universal e de grande importância para a competitividade de qualquer porte de organização.

A competitividade de qualquer empresa é ditada pela capacidade desta se relacionar com o mercado e de utilizar recursos produtivos, humanos, financeiros e mercadológicos de forma a criar um posicionamento diferenciado frente aos seus concorrentes. Quando uma empresa começa a amadurecer sua governança, suas ações são percebidas pelo mercado e, portanto, por fornecedores, instituições financeiras e clientes, criando efeitos positivos nestas relações.

Uma empresa que está continuamente amadurecendo sua governança está criando ações que eliminam conflitos de interesse internos e externos; criam transparência sobre suas ações e os efeitos destas na sociedade e stakeholders e criam um ambiente em que as decisões empresariais são cada vez mais alinhadas com os objetivos empresariais de longo prazo.

A busca pela preservação dos direitos dos fornecedores, clientes e integrantes de uma empresa, independente da relevância destes está em alinhamento com as melhores práticas de governança corporativa e este objetivo pode ser alcançado independente do tamanho da empresa, por tratar-se de um princípio que rege as ações empresariais e operacionais. Apesar de ser alcançável para todos, isso não quer dizer que tenha o mesmo grau de dificuldade de implantação para as empresas dispostas a adotar tais princípios. Princípios de gestão e valores organizacionais mexem com as posturas empresariais que fundaram a empresa bem como o estilo de gestão dos administradores e o sucesso disso depende de comprometimento e dedicação.

A aplicação de todos os princípios de governança certamente não é viável para empresas de pequeno e médio porte, como a implantação de um conselho fiscal ou mesmo um conselho de administração. Entretanto, empresas intensivas em capital devem se preocupar com a transparência das suas informações e nesse sentido algumas ações iniciais são sugeridas:

Implantar auditoria independente. Existe um conflito evidente quando uma empresa aborda instituições financeiras e submetem para análise demonstrações financeiras que foram elaboradas ou revisadas e aprovadas por elas. A adoção de uma auditoria independente confere a segurança para instituições financeiras de que as demonstrações apresentadas estão em conformidade com os princípios contábeis aceitos e que traduzem a realidade da empresa para o período em análise.

Elaborar um Código de Conduta. A elaboração de um código de conduta e sua divulgação registra e institucionaliza o conjunto de práticas que são incentivadas dentro de uma organização, bem como aquelas que são condenadas. Com a divulgação do código os fornecedores e clientes compreendem o que podem esperar em termos de atitude profissional da empresa e como deve ser comportar em relação a ela.

Elaboração de Diretrizes Estratégicas, Acompanhamento e Divulgação. Não existe gestão de empresa se não se sabe qual a visão de futuro desta.  Com base no “aonde se quer chegar” torna-se possível alinhar os desejos dos acionistas com as expectativas da administração e desta com os integrantes, fornecedores e clientes. Evidentemente, este alinhamento só é possível quando existe a divulgação das diretrizes estratégicas da organização.

Empresas que adotam estas práticas criam melhores avaliações de crédito junto às instituições financeiras, resultando em custos mais baixos de captação, atraem com mais facilidades potenciais investidores e tem melhor avaliação de mercado em processos de fusão e aquisição. Além disso, contam com um melhor relacionamento com fornecedores e clientes, sendo que em alguns casos atendem a quesitos imprescindíveis para a contratação por clientes de grande porte.

Num ambiente em que os diferenciais competitivos são rapidamente superados, a governança corporativa torna-se mais do que um diferencial, uma situação inexorável para a boa performance dos negócios, criando condições de sustentabilidade organizacional. Quem pensa em perenizar seus negócios não pode deixar este assunto fora da pauta corporativa.

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